terça-feira, 1 de maio de 2007

Sobre a legalização do aborto no Brasil

Estamos trabalhando em sala de aula com os alunos do 3º ano de Ensino Médio o tema da legalização do aborto no Brasil. Muito se tem discutido por aqui ou mesmo em outros países, o que aumenta a chance de o assunto estar na mira dos próximos vestibulares.
Além do material em sala de aula, seguem abaixo alguns links por meio dos quais é possível encontrar textos sobre a questão:

Em Portugal - artigo de universitário do King´s College sobre a legalização do aborto naquele país.

Carta na IstoÉ - texto da redatora-chefe da IstoÉ Gente, Gisele Vitória, sobre o tema.

Opinião - entrevista com o juiz paulista Francisco Bruno

Notícia - sobre projeto para legalização do aborto no Brasil

Artigo contra a descriminalização do aborto

México - nota no sítio Último Segundo sobre a descriminalização do aborto no México, com link para mais informações no site da BBC

Opiniões diversas - interessante o debate promovido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com artigos de dois médicos da Faculdade de Medicina, nos quais eles expõem pontos de vista diferentes. Vale a pena ler para entender e comparar os argumentos.

Não ao aborto - sítio na internet do Movimento em Defesa da Vida

Pesquisa - material acadêmico com pesquisa entre mulheres no Rio Grande do Sul sobre o tema

domingo, 29 de abril de 2007

Publicidade abusiva

Quarta-feira comentei em classe o novo filme publicitário do Palio 1.8 veiculado na tevê brasileira. Um absurdo: três carros explicitamente participando de um racha, o conceito de performance unicamente ligado à velocidade. Isso num país no qual 17,1% das mortes entre jovens são causadas por acidentes de trânsito.
Na sexta, uma boa notícia: o comercial foi alvo de duas ações judiciais e o Conar determinou a suspensão da veiculação. Algumas coisas ainda funcionam por aqui.

sábado, 28 de abril de 2007

Asfalto, neuroses e um filme de primeira

A semana não poderia ter terminado melhor. Sexta à tarde e não fosse o comentário da galera ainda no carro, indo para casa ("ih, olha o cartaz da Miss Sunshine"), teria passado batido. Mas valeu e deu para encontar recém-lançado em DVD "A Pequena Miss Sunshine". O filme é um primor.
Normalmente, quase todo road-movie trata da estrada para os sonhos dos personagens, a procura por si mesmo, etc, etc, etc. "Miss Sunshine", não. Em vez disso, o filme - dos novatos em cinema Jonathan Dayton e Valerie Faris - mostra mesmo é uma família desencontrada que, na estrada, ao buscar um sonho, precisa mesmo é encarar seus próprios pesadelos. Incluem-se aí o pai, um fracassado vendedor de palestras e um quase-livro de auto-ajuda; um adolescente depressivo, revoltado e mudo por opção (tirando mudo, que adolescente não é??), um avô doidão viciado em heroína e expulso por isso do asilo, a mãe e o tio suicida. Todos numa mesma Kombi cuja embreagem sequer funciona para levar a desconcertante Olive ao concurso de "Pequena Miss Sunshine", na Califórnia.
E mais não conto.
Assistam.
Para ler mais sobre:
Liberati
Crítica no Yahoo Filmes
Resenha do Merten, no Estadão

terça-feira, 24 de abril de 2007

Muda ou não muda?

Sobre as mudanças previstas na reforma ortográfica, o artigo abaixo merece uma leitura. Nosso amado e inédito presidente Lula já aderiu, posto que pediu a repórteres outro dia que ficassem "trankilis", assim, sem trema mesmo. Vamos todos, então...


Vão seqüestrar o trema!

Gabriel Perissé

Quando o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 entrar em vigor, talvez muitos brasileiros mal percebam as alterações. Eu, no entanto, já estou pregustando as amargas mudanças, por menores que sejam.

Está previsto, por exemplo, que o trema desapareça. O trema, que já não era visto nas páginas da Folha de S. Paulo e da revista IstoÉ, sumirá do nosso idioma para todo o sempre. Vou sentir muita falta. Jamais me acostumarei (tremo só em pensar) a sequestros sem trema, consequências sem trema, sanguíneo sem trema.

Os professores de língua portuguesa que se irritavam quando liam a Folha e IstoÉ, ou punham com caneta vermelha os tremas esquecidos nas redações de seus alunos, terão agora que, humildemente, reconhecer a verdade. Não se tratava de esquecimento, no caso dos alunos, ou de arrogância, no caso daquele jornal e daquela revista. Era pura premonição!

Todos tranquilos

Outra mudança: paroxítonas terminadas em "o" duplo perderão o acento circunflexo. "Abençôo" será "abençoo", "enjôo" será um despojado "enjoo" e os "vôos", que já estavam com problemas há meses nos aeroportos brasileiros, terão mais uma perda: o "chapeuzinho". Os "voos" sem circunflexo me deixam perplexo.

O acento agudo nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas também será suprimido. "Assembléia", "idéia", "epopéia" vão ser "assembleia", "ideia" e "epopeia". Que cefaléia! "Jibóia" e "tramóia" serão inofensivas "jiboia" e "tramoia".

Se eu pudesse propor alguma mudança relativa à acentuação, mandaria adotar a simplicidade do inglês — não há acentos, ninguém perde tempo com isso. Aliás, a rigor, os acentos já deixaram de existir para milhares de pessoas, sobretudo quando escrevem na internet. Nada de til, acento agudo, acento grave, estão todos tranqüilos, ou melhor, tranquilos. Para esses escritores revolucionários, o acordo informal já foi feito, blz!

Apenas uma idiossincrasia

Aceitarei de bom grado tudo, menos a queda do trema. Os "linguistas" sem trema me fazem pensar que a língua será "linga". Os "bilingues" e "trilingues" estarão mais próximos do estilingue. Comer "linguiça" vai ser um enguiço! Uma nota de "cinquenta reais", eu não "aguentarei"! E o "pinguim", coitado. E a "eloquência" empobrecida...

Bem sei que isso é idiossincrasia. Nada que o tempo não possa curar. Na pior das hipóteses, os amantes do trema não viverão para sempre. Daqui a duzentos anos todos vão achar estranho que houvesse gente usando esses dois pontinhos em cima da letra "u".


(Fonte: Observatório da Imprensa, 17/04/2007 – www.observatoriodaimprensa.com.br)

Sobre variações linguísticas, texto, vocabulário e estilo

Muito bom.
Para quem conhece pouco o Ubaldo, recomendo a leitura de "Viva o Povo Brasileiro" (algum maluco colocou o romance - não sei se na íntegra - na internet!), "O Sorriso do Lagarto" e especialmente "A Casa dos Budas Ditosos", este sobre a luxúria, que integra uma série excelente sobre os sete pecados capitais.
O artigo abaixo é um dos muitos nos quais ele fala sobre o uso da língua portuguesa. Se alguém encontrar, recomendo um texto no qual Ubaldo cita a coragem de um então aluno seu que declarou haver o verbo "fôr" (entre o ser e o ir....) e o conjugou em sala, instado a tanto. Incrível...

A decadentização da língua

João Ubaldo Ribeiro


Claro, todo mundo já ouviu dizer que línguas são como seres vivos, que mudam com o tempo e até morrem. É verdade e, se não fosse assim, alinda estaríamos falando latim. Nada, portanto, contra as mudanças na língua, contanto que sejam ditadas por uma razão mais ou menos respeitável, até mesmo pela famosa lei do menor esforço, quando não redunde em empobrecimento da capacidade de expressão. Mas acho que está havendo um certo exagero e, daqui a pouco, estaremos falando um dialeto primitivo de umas 300 palavras par pessoas cultas e umas 25 para a maioria.

Começa-se, é claro, com as chamadas “palavras-ônibus”. Servem para tudo e, em português, as mais comuns atualmente são “maravilha” e seus derivados, “super”, “parada” e “valeu”, que, com alguns acréscimos, podem constituir toda uma conversação.

- Eu super me dei bem naquela parada – diz o primeiro.

- Ah, aquilo sempre foi uma maravilha – responde o segundo.

- Ah, supervaleu! – despede-se o primeiro.

O “cujo”, coitado, restinho do genitivo que ainda sobrava por aqui, passou da categoria de pedante, entrou para a de pernóstico e, em breve, será arcaísmo. Ninguém mais diz “cujo”, só diz “que”. “A moça que eu vi o pai ontem” é o certo hoje em dia e quem disser “a moça cujo pai eu vi” corre o risco de não ser entendido. Sei que vai haver entre vocês quem não acredite e ou até compreende, embora esteja contatando a verdade. Outro dia eu disse um “cujo” numa entrevista e a entrevistadora me deu a impressão de que só entendeu depois de pensar em alguns laboriosos segundos.

Há também um movimento que cada vez aumenta mais, para abolir a preposição “a” no uso corrente. Ou seja, prestando atenção, você vai ouvir na televisão alguém dizendo “daqui dois dias” ou, bem pior, “igual eu” . Em compensação “neste ano” “nesta semana” por exemplo, que nunca foram correntes para dizer, “este ano” ou “esta semana” , agora são a única maneira certa de falar. “Neste ano, tu vai fazer igual eu, procurar uma parada diferente no carnaval, não é?

Os verbos vêm sofrendo bastante também. Por exemplo, poucos entre nós, tem visto alguma coisa recentemente. A maior parte de nós hoje visualiza, principalmente quando enxerga. Ver a gente volta e meia ainda vê, mas ninguém enxerga mais, só visualiza. Até a sinal a gente não prestas mais atenção, a gente nota a sinalização. Ninguém chama a atenção para nada, sinaliza e nós vemos a sinalização, não o sinal. O verbo “pegar”, não sei bem por quê ( tem acento aí nessa quê, garanto a vocês – de vez em quando me comem um circunflexo), virou abundante e o certo, que era errado, é cada vez mais “pego” e outro dia um motorista de táxi se embasbacou porque eu sou da Academia e disse “pegado” a ele. E novamente garanto que não estou mentindo: já ouvi “eu tinha falo”, em vez de “falado”, o que talvez não cole porque fica chato tanto para homem quanto para mulher dizer isso, considerando que “falo” é substantivo e tem muito pouco a ver com a fala.

Os timbres também são amalucados. A droga “ecstasy” é para ser pronunciada com “e” aberto, pelo menos enquanto não for naturalizada, mas aqui virou uma maneira exótica de pronunciar “êxtase”. Isso, aliás, é comum, na incorporação de palavras dce nossa língua-mãe, ou seja, o inglês. Quando o “volley” (“vóli”, às vezes quase “válhi”) se naturalizou, virou “vôlei”. Até aí, tudo bem, naturalização é naturalização, mas por que “doping”, além de receber frequentemente dois pp, é “dópingue”? (Aliás, isto me traz à cabeça algo que tem pouco a ver com o que escrevo agora: por que a gente se irrita tanto quando inglês ou americano escreve Brasil com z? Em inglês é com z, assim como América aqui é com acento, França é com cedilha e “a” no fim e Alemanha é bastante diferente de Deutschland. Deve ser nosso combativo nacionalismo de araque). Outra mudança de timbre que me chateia é a de “obsoleto”. Não é conhecimento secrêto que o corrêto – e não é preciso ser discrêto quanto a isso – é “obsoleto”, mas escuto gritos de “olha o baiano” sempre que pronuncio certo. Tenho vontade de acertar um “dirêto” no cara.

“Loira”, que era variante, agora está ficando padrão. Ninguém, que eu tenha escutado, diz que um sujeito é “loiro” e eu acho que até pega mal em certas mesas de boteco, mas só se escreve “loira” agora. Outras palavras não estão tendo formas destronadas, estão sendo expulsas da língua, como os bons e velhos verbos “pôr” e “botar”. Acho que até em Itaparica galinha já está colocando ovo, em vez de botar. Colocando, imaginou eu, é mais elegante. Da mesma forma, “penalizar”, um verbo antes tão expressivo, botou para fora “punir” (não sem uma certa relação com o que acontece na sociedade) e “prejudicar”. Ninguém prejudica mais, só penaliza, que tem a vantagem adicional de terminar em “izar”.

A linguagem informática também traz suas pesadas contribuições. Por que diabo “salvar”, que não quer dizer nem “guardar”, nem “gravar” nem nenhum sinônimo destes, é usado, quando temos palavras perfeitamente adequadas? Por que “malévolo”, “mal-intencionado” ou “maldoso” é “malicioso”? Por que “corporate”, até fora da linguagem informática, é “corporativo”? Por que um determinado sistema não “suporta” outro, como se se detestassem?

Finalmente, adeus para “existir” e “haver”. Agora só se diz “você tem”. “Você tem uma área chamada Amazônia. Muito bem, que é que você tem lá? Você tem uma floresta que precisa ser preservada. E aí você tem que caminhos?”. Eu não sei, só sei que nós tínhamos uma língua própria antigamente.

(Publicado originalmente em O Estado de São Paulo, 22.04.2007, página D3)

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Pit stop

Final do dia, começo da madrugada. 1h09. A vida online cresce e não por conta do horário. Esse, aliás, é um dos truques: não há mais horários. Tanto faz às 8h23, 16h31 ou 2h15. Tudo é sempre agora. Este blog não termina quando eu o deixo, desligo o micro e morro por algumas horas, boiando em sonhos que nem sei se são meus. Há o monitoramento, visitas, comentários. Não o fazem permanecer?
Aos poucos, nada passa a depender de nada, já que tudo está: conectado, reagindo, registrando, respondendo (e-mails com respostas automática não o fazem a qualquer momento?), enviando, suspeitando, enviando e recebendo.
Bibliotecas com horário de funcionamento? Não mais. Apostas na megasena no meio da insônia? Perfeito. Flores? Já é. Acabo de encontrar um site com resumos e resenhas. Dá até para ganhar um troco oferecendo o que muitos não conseguem sequer de graça.
Aos poucos, tornamo-nos uma gigantesca conveniência 24 horas.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Escreveu, não leu, mas vendeu....

Curioso, mas não incomum. Bastante recorrente, aliás, em tempos de muito business e pouca leitura.


O vendedor Nirso!!! CENÇASSIONAL!!!

O gerente de vendas recebeu o seguinte fax de um dos seus novos vendedores:
"Seo Gomis o criente de Belzonte pidiu mais cuatrucenta pessa. Faz favor toma as providenssa, Abrasso, Nirso."

Aproximadamente uma hora depois, recebeu outro:"Seo Gomis, os relatório di venda vai xega atrazado proque to fexando umas venda. Temo que manda treis miu pessa. Amanhã tô xegando. Abrasso, Nirso."

No dia seguinte:

"Seo Gomis, num xeguei pucausa de que vendi maiz deis miu em Beraba. To indo pra Brazilha. Abrasso, Nirso."

No outro:

"Seo Gomis, Brazilha fexo 20 miu. Vo pra Frolinoplis e de lá pra Sum Paulo no vinhão das cete hora. Abrasso, Nirso".

E assim foi o mês inteiro.O gerente, muito preocupado com a imagem da empresa, levou ao presidente as mensagens que recebeu do vendedor. O presidente, um homem muito preocupado com o Desenvolvimento da empresa e com a cultura dos funcionários, escutou atentamente o gerente e disse:

- Deixa comigo, que eu tomarei asprovidências necessárias.

E tomou. Redigiu de próprio punho um aviso e fixou no mural da empresa,juntamente com as mensagens de fax do vendedor:

"A parti de oje nois tudo vamo fazê feito o Nirso. Si priocupá menos em iscrevê serto, mod vendê maiz.

Acinado,

U Prizidenti."