quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Violência, imprensa e crítica

Luciano Huck foi assaltado. Ele e a torcida do Flamengo, mas ao menos a galera da geral já conhecia isso um pouco mais de perto. O apresentador, ao contrário, imaginou-se merecedor de homenagens póstumas em cadernos de cultura e funerais em grande estilo.
O artigo e as reações a ele viraram tema de aula nesta quinta, 04 de outubro. Há até na classe quem já tenha sido assaltado.
Seguem algumas poucas - e boas - bem-traçadas pela galera do 3º colegial da Academia.
Aos poucos, os textos que aterrissarem serão acrescentados.

Plano de aula:
a) Apresentação do tema - leitura do artigo "Pensamentos quase póstumos", do Luciano Huck, plublicado dia 01 de outubro na Folha de S. Paulo (Página A3)
b) Leitura de cartas de leitores no Painel (FSP, 02.10, página A3)
c) Produção - em duplas - de texto. Comanda: até 12 linhas em fonte 12, título com uma ou duas palavras. Parágrafos com até 4 linhas.
d) Envio para o e-mail e posterior postagem no blog


Sem título
Entendo que Huck tenha se indignado com o assalto que sofreu. No entanto se encararmos a situação de outra forma esse assalto pode ter sido bom, pois como diz o ditado “Há males que vem para o bem.”
Quem sabe agora, depois deste susto, o apresentador e seus amigos da elite de nossa sociedade, nos ajude a clamar por uma sociedade menos violenta e um pouco mais justa.
E não adianta culpar a polícia e o governo (é claro que eles têm sua parcela de culpa, todos têm), mas se não houver uma mobilização da população em geral, a situação irá continuar a mesma ou até piorar.”

Robson Henrique Pessute (Jaú, SP)


Felicitações
Diante da situação vivida por Luciano Huck, declaro a ele minhas felicitações. Meus parabéns por ser mais um dos milhares de comtemplados pela 38 na cabeça. Por ter de viver uma situação para se dar conta de que ela realmente exista.
Paulistanos chegam a considerar um assalto como banal, corriqueiro do dia-a-dia, enquanto isso, apresentadores famosos usufruem disso para ainda mais divulgar sua imagem e sua indignação.Indignação essa que muitos brasileiros sentem todos os dias, e que nem por isso precisam de uma matéria para divulgá-la no jornal.Afinal, gritos de socorro podem ser dados, pois a certeza que temos é a de que não serão ouvidos.
Há muito tempo fatos como esse vêm acontecendo, mas vão sendo diluídos, até caírem no esquecimento...Não se preocupe: na próxima semana já estaremos todos bem, sem dramas de apresentadores, comoção da mídia...os assaltos porém, estarão presentes, todavia, suas vítimas serão anônimas.
L.B.R

Vergonha nacional

Após ler o desabafo do Luciano Huck, surpreendi com a repercussão que teve o seu depoimento.

Ele deixa subentendido de que é absurdo um apresentador de televisão ser assaltado em um jardim. Com isso, algumas perguntas me vieram à mente: seria normal se ele tivesse sido assaltado num morro? O pobre não tem o direito de ter segurança?
A questão que mais chama atenção com tudo isso, que quantos “Zé Ninguém”, quantas “Marias” são assaltadas e são s consideradas mais um número nas estatísticas e no caso de um apresentador da rede Globo, há toda essa repercussão. Isso é um absurdo. Espero que o Governo tome uma atitude, não só para não ter mais o seu nome escrito nas páginas do jornal por mais um famoso que tenha sido assaltado, mas sim para que não seja eu, você, as tantas “Marias” e tanto os “Zé Ninguém” as próximas vítimas.
Por conseguinte, terminarei com trecho de uma música que representa muito a nossa atual situação: “Que país é esse?”
R.F.




Caramelos amargos

O crime é um protesto contra a anormalidade do sistema social. Contudo, esse assalto só foi apenas mais um caso que acontece a cada segundo nesse pais. Ainda vejo que a elite econômica, toda onipotente, não sofre nem um terço do que um pobre proletariado, que sai de sua casa às 4 horas da manhã para trabalhar, não tendo hora para voltar e não sabendo se retornara vivo ao seu lar, sofre.
Espero que esse desabafo -pensamentos quase póstumos- não seja em vão, mas, conhecendo o meu pais, me desaponto de ter o dom da clarividência brasileira. Já até sei como essa questão acabará: Palavras, apenas palavras, palavras pequenas... Palavras...
Gabriel Volpato

Vergonha Nacional

Diante de tantas notícias sobre violência no Brasil, o assalto ao apresentador Luciano Huck passa a ser mais um nas estatísticas. A indignação que relata é, sem dúvida, muito compreensiva. Várias pessoas, assim como ele, já passaram por uma situação semelhante, ou quem sabe, ainda pior.

O intrigante é o fato de que, por ele ser um paulistano, apaixonado pela sua cidade, onde passou a maior parte da sua vida, nunca ter passado uma situação parecida com a que descreveu na Folha. Algumas pessoas possuem uma sorte muito grande! Nada como sentir "na pele".

Será que, para acabarmos com essa vergonha, que toma conta cada vez mais do nosso país, terá que acontecer, por exemplo, um assalto que tenha como vítima a Sra. Marisa? Será que assim, o Sr. Lula, presidente da nação, acorde e perceba que o Brasil está perigoso, que até sua esposa passou a fazer parte das estatísticas e, daí, tome providências como implantar políticas sérias de segurança pública para acabar com essa vergonha nacional.
Paula Rett - Semi Noturno

Mais um
Depois de lermos a reportagem de Luciano Huck, chegamos à conclusão que houve uma exposição excessiva da imagem do apresentador, que conta sobre o assalto de maneira dramática como se ele fosse o primeiro a sofrer com esse mal.
Ele se mostrou uma pessoa alienada visto que ele mora em um país onde ocorre um dos maiores índices de criminalidade, e diariamente são vistas tragédias que não ganham tanto destaque pois ocorrem com cidadãos anônimos que trabalham oito horas em troca de um salário mínimo.
Huck, em vez de apenas se mostrar indignado, deveria apresentar alguma solução, pois trata-se de uma pessoa de grande poder financeiro e de grande influênciasobre o povo brasilero. Por isso, poderia ser um aliado na luta contra a violência.
Isabela Rodrigues, Talita Feltrin, Renata Hernandes da Costa

Pura verdade
Ser assaltado nos dias de hoje virou realmente rotina. Os paulistanos são os mais acostumados com essa violência cotidiana. Embora muito prejudicados, não saem fazendo "escândalos" pelos jornais, revistas. Não que isso não seja motivo de revolta, é sim, com certeza, mas esse enfoque só é dado quando ocorre com pessoas "destacadas" na sociedade.
O caso ocorrido com o Luciano Huck semana passada foi um dos grandes destaques e comentários da semana, mas, se pensarmos, todo dia milhares de pessoas são assaltadas. Talvez nem todos paguem suas contas totalmente em dia como disse Luciano, mas desde que são brasileiros têm seus direitos e deveres, sendo que o direito de ter segurança é o menos respeitado. Digamos que foi praticamente deixado de lado a muitos anos pelo governo brasileiro.

Bruna Mangerona


Bem-vindo

Após lermos o artigo do Luciano Huck, ficamos indignadas com o apresentador, que se achava imune a assaltos e outros problemas relacionados à violência só por pertencer à elite brasileira.
Tal situação vem ocorrendo há muito tempo em nosso país e o apresentador Luciano Huck não havia percebido, mas agora ele parece ter acordado de seu lindo sonho, e após ter vivenciado tal situação de violência, ele resolve escrever um artigo no jornal contando seu descontentamento com a sociedade brasileira e com a indiferença do Governo.
Bom, querido Luciano Huck, queríamos dizer que esse é o mundo real, essa é a verdadeira vida do brasileiro, que é obrigado a se calar diante da violência e do medo que assombra a nossa sociedade.
Aline Casalenovo e Carina A. Peralta – 3º colegial A

Sem título
No mundo inteiro presenciamos situações que nos fazem refletir para onde estamos caminhando. No dia 27 de setembro de 2007, a vítima de uma dessas “surpresas” desagradáveis, foi o apresentador global Luciano Huck, que teve seu relógio roubado em um semáforo na cidade de São Paulo. Não nos espanta nenhum pouco, pois situações como essa, ocorrem em todos os momentos, em todos os lugares. O que espanta, é a falta de boa vontade deste governo, de tomar frente e cuidar da segurança do nosso país.

O apresentador, que aguarda o nascimento do seu segundo filho, ficou assustado com a possibilidade de não conhecer seu filho, por causa de um relógio. Isso é o que acontece com todos nós, em todos os momentos, vivemos esperando qual será a próxima atrocidade, e temendo que esta bata à nossa porta.

A peça, avaliada em torno de 42 mil reais, não é nada perto de tudo que vemos acontecer, e nenhuma atitude é tomada para preservar a segurança, a paz e até a vida de cidadãos que vivem a mercê de uma classe que não tem culpa de ter que se colocar em tais condições para não ver sua família passando necessidade.

Quantos relógios, quantas vidas precisaram ser tiradas, até que uma atitude seja tomada?

Vânia Souza

Corpos Blindados
Acredito que todos estão sujeitos a serem assaltados. Isso acontece com muitas pessoas em vários cantos do país, e ninguém escreve uma coluna na Folha para mostrar sua própria revolta.
A polícia diz, conforme alguns depoimentos,“que prefere correr o risco nos “bicos” para sustentar a família, ao invés de trocar tiros com bandidos recebendo um salário base de R$ 568,29".
Sabe o que mais me entristece? Saber que a única coisa bem distribuída nesse país é a oportunidade de sermos assaltados.
Será que tudo isso vale a pena? Quando será que poderemos sair de casa para dar um volta no jardim sem correr o risco de sermos assaltados? Enfim, a nossa segurança está nas mãos do estado, e para estar imune a essa situação, só contratando segurança armada e comprando carros blindados.!

Angélica Salado
Victor Carlos de Souza Junior


Insignificância

Aristas e famosos, como Luciano Huck, estão muito mais expostos na mídia, tornando-se alvo fácil para seqüestros e assaltos nos dias de hoje.
Ninguém está imune a violência, se houvesse segurança no Brasil, não passaríamos por tal constrangimento que destrói nosso bem-estar.

O texto publicado pela Folha mostrou a revolta que o artista sentiu sendo submetido ao assalto. Mas isso não ocorre ou ocorreu apenas com celebridades. Centenas de pessoas em todo o Brasil são assaltadas a cada hora, em ruas, ou em suas próprias residências. Estamos protegidos a mesma quantia. Esse 'apelo' não vai parar com o crime.

Se ele se sentiu ‘humilhado’, outras pessoas também se sentem assim, mas não têm a oportunidade de expressar em veículos públicos como o jornal Folha de São Paulo.

Bruna Urbanetto e Helen Soriani

Vergonha
Embora haja críticas contra o artigo que foi escrito sobre o assalto à Luciano Huck essa é a pura e dolorosa realidade brasileira, que enfrentamos diariamente, através de mortes, assaltos, seqüestros, entre outros, que chocam a população.
A vergonha em que ele fala no seu texto com certeza é um sentimento de muitos outros brasileiros que sofrem a mesma situação até mais de uma vez em sua vida, mas não podem expressar a sua revolta, as vezes nem mesmo se dirigem a policia para fazer a queixa pois já consideram uma situação “normal”.
Talvez não se faça a queixa também por não se confiar na policia que se envolve em escândalos e fingem não ver o que acontece a sua volta; porém temos que exigir nossos direitos de cidadãos e cobrar os políticos que nós elegemos para que possamos ter um mínimo de segurança no nosso dia-dia.


Danilo Henrique Volpato 3ªA e Murilo Bassan 3ªB

Privilegiados

Assaltos e tentativas de homicídio acontecem todos os dias; homens, mulheres e crianças que não participam da mídia não tem a abertura de publicarem suas “experiências”. Agora, quando se trata de um artista ou cantor a primeira coisa que acontece é a publicação em jornais e revistas que acabam se tornando manchete nacional.
Não culpamos o artista de querer aparecer só por causa que tal fato ocorreu com ele, mas é que a mídia só publica esse tipo de coisa e só leva a fundo quando a pessoa em questão é nacionalmente conhecida. Até mesmo o povo se preocupa mais com o que acontece com o famoso do que esta acontecendo em sua cidade ou mesmo em seu bairro.
Até que ponto nós “pessoas comuns” temos que aceitar o fato de que só o que acontece com “ gente famosa” é divulgado e questionado pela população, sendo que isso acontece todos os dias em todos os cantos do Brasil e o governo não faz nada.

Maria Luisa Sinatura e Maria Cecília Laistner Pereti - 3ºA

Cuide-se

Luciano Huck é apenas um dos alvos da mídia e da inverdade expressa por ela, pessoas famosas e bem vistas pela sociedade sempre são alvos de polemicas e “cochichos” nem sempre verídicos.
Claro que por ter sido assaltado ele fez a coisa certa de publicar tal fato para alertar a toda população do que ocorre nas grandes cidades. Isto vem acontecendo não só com gente famosa, mas também com pessoas simples , mas o que ocorre é que as pessoas famosas ganham mais brilho e mais destaque no dia a dia do povo em situações como esta.
Pessoas arriscam sua vida por apenas objetos superficiais, óculos, celular, relógio, tudo para que? Será que vale a pena arriscar tudo o que construiu no meio tempo de sua vida por tão pouco?

Tiago .N. Galazini e Mateus Filipe de Barcelos - 3ºA

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Banda podre, ovo podre

Depois da absolvição do Renan...ainda vale esse retrato básico desse pedaço minúsculo - em todos os sentidos - do Brasil....

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

O país do crédito

Nunca antes nesse país houve tanta prosperidade. Se não para todos, ao menos para os agiotas que têm a bênção da lei e a adesão dos incautos e desesperados: basta ver a quantidade de portas abertas em ruas comerciais oferecendo empréstimos a perder de vista.
É a consagração do pode-tudo nestas plagas tropicais.

sábado, 25 de agosto de 2007

Educação, cuitelinho e poesia

Fechamos mais uma matéria sobre educação. Viramos a pauta e o resultado foi uma página sobre a reforma ortográfica. Na verdade, sobre a aparente desencanação com a reforma. Pouco se sabe de concreto sobre ela nas escolas - até porque não entrou em vigor.
E a julgar pelos projetos bacanas que encontrei, não faz diferença. Quando as mudanças tiverem de acontecer, alunos e professores vão assimilá-las. E ponto. Se final, quem sabe?
O que dá para saber e conhecer são iniciativas muito boas, como as que encontramos. Na EE Capitão Henrique Montenegro, em Bocaina, alunos fizeram um "Dicionário de Palavras Chiques".
Os verbetes, até agora:

Dicotomia
Enfatizar
Metamorfose
Misticismo
Mito
Incumbir
Inovativo
Pioneiro
Diminuto
Fluidez
Design
Humanóide
Inconciliável
Probabilidade
Ambigüidade
Hipérbole
Convescote
Aspecto
Ubiqüidade
Primogênito
Biltre
Recalcitrante
Concatenado
Sussurrar
Questiúncula
Ortodoxo
Miscigenação

Desconhece algum? Não vai encontrar o significado aqui. Faça como a galera da sexta série: procure.
E tem mais. Depois da entrevista, eles resolveram cantar "Cuitelinho", que diz tudo sobre poesia, afeto e a licença poética que faz da língua portuguesa a única a ter uma palavra como saudade.


quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Cantiga do Itororó

Sobre a indicação de leitura da coluna Toda Palavra publicada em 12.agosto:


Em versão mais moderna, esta é a letra com que é cantada pelas crianças brasileiras, enquanto formam uma roda ao redor de uma menina. Na terceira estrofe, o nome Maria/Mariazinha pode ser substituído pelo da criança que está no centro (ou fora) da roda. A última estrofe é cantada pela criança no centro da roda, substituindo o nome Chico pelo de qualquer outra criança escolhida para sair da roda e ficar na área central:


Eu fui no Itororó
Beber água e não achei
Encontrei bela morena
Que no Itororó deixei
Aproveita minha gente
Que uma noite não é nada
Se não dormir agora
Dormirá de madrugada
Ó dona Maria
Ó Mariazinha
Entrará na roda
E ficará sozinha
Sozinha eu não fico
Nem hei de ficar
Porque tenho o Chico
Que será meu par

O escritor Veríssimo de Melo, de Natal/RN, registra em sua obra Folclore Infantil (Editora Itatiaia Ltda., Belo Horizonte/MG, volume 20 da Biblioteca de Estudos Brasileiros, cerca de 1981) diversas variantes da letra, recolhidas em vários pontos do Brasil. No Ceará, por exemplo, uma variante da letra usa o nome Itararé.

Veríssimo de Melo relaciona Itororó com o ribeirão homônimo, palco de grande batalha em 6/12/1868 entre as tropas do Brasil e do Paraguai. Para isso, ele se baseia numa versão recolhida em Santa Catarina, em que aparecem os nomes do famoso general Pedro Juan Caballero e do major Moreno, que controlava a artilharia, impedindo a passagem da ponte de Itororó, provocando muitas mortes e assim ensangüentando as águas do ribeirão - daí a alusão de não se achar água para beber. O último verso seria uma reminiscência da frase latina "Veni, vidi, vinci" dita por Júlio César ao Senado de Roma. Esta é a versão catarinense:


Eu fui lá no Tororó
Beber agua e não achei,
Ver Moreno e Caballero
Já fui, já vi, já cheguei

O autor registra ainda que Frei Pedro Sinzig (O Brasil Cantando, Ed. Vozes, Petrópolis/RJ, 1938) comenta ter o compositor Luiz Heitor se surpreendido em notar que o motivo musical conhecido da ópera O Guarany, de Carlos Gomes, ser o mesmo desta canção, não sabendo dizer qual originou qual.

Para ler o original, clique aqui

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Maroni, o realista

De todo o imbroglio causado pelo acidente da TAM, poucas coisas falam mais do que a posição do empresário Oscar Maroni Filho, proprietário da casa noturna "de diversões masculinas" Bahamas (onde foi parar a consagrada e santificada zona, meu Deus?) e do prédio apontado como o provável causador de acidentes aéreos horrendos.
Com a palavra, Maroni: "Eu sou imoral, devasso, depravado, se você preferir, mas pago meus impostos e estou em situação legal".
Noves fora, há, claro, sombras demais na própria situação do prédio. Falhas no projeto urbanístico, dizem uns; situação irregular, apontam outros; risco aos pousos e decolagens em Congonhas, garantem terceiros.
O que fica, no entanto, é o realismo do empresário. Sim, ele vende erotismo. Não nega, aceita a pecha de depravado e qualquer outra, mas e daí? Quem são os sacrossantos que apenas após o acidente com o avião da TAM resolvem embargar a obra? Alguns anos com o prédio ali e nunca subprefeito algum apareceu, ninguém nunca ligou - ainda mais aparecer com equipe de tevê para dizer que vai lacrar o local.
Maroni faz e assume. E pronto. Ao contrário de muita gente que prefere faturar com a desgraça alheia.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Aprender, ensinar e aprender de novo

"Não dormi porque fiquei com dó”.

Esse foi o comentário de um aluno sobre palestra realizada havia poucos dias e surpreendeu menos pelo ineditismo e mais pela freqüência com que se ouvem frases desse tipo. Não é segredo que aumenta cada vez mais a distância entre as práticas escolares e a perspectiva e atitudes dos alunos. Mas afinal de contas, o que acontece? Onde está o ruído na comunicação entre professores e alunos? Há tantas teorias sobre o problema quanto propostas de solução, mas nenhuma parece dar conta de resolvê-lo.

Algumas pistas, no entanto, podem ajudar, como um caso ocorrido na Austrália: durante a aula, um professor admitiu não saber exatamente o que cangurus comem e se comprometeu a obter a informação para o dia seguinte. Um aluno disse não ser necessário esperar: ele poderia obtê-la “em instantes”. Provavelmente, acessaria a internet por meio do celular e além de um texto obteria um vídeo sobre o tema e, quem sabe, o compartilharia com outros colegas enviando o material em uma mensagem multimídia por correio eletrônico ou conexão sem fio.

Apesar disso, a escola continua sendo a escola. É onde o próprio aluno espera aprender algo útil, capaz de prepará-lo para o resto dos seus dias; é também local de interação social, onde ao lado de disciplinas básicas – língua, ciências naturais e matemática, ciências humanas – aprende-se a viver e a conviver com a diferença e a semelhança e a lidar com elas. É razoável imaginar que o problema não está em “o quê” (o conhecimento), mas no “como” se ensina.

Não é o caso de sair por aí queimando carteiras e lousas, distribuindo notebooks a cada aluno e liberando geral o uso do celular em sala de aula. Ferramentas – microcomputadores, lousas digitais e etecéteras - são apenas isso: ferramentas. Pesa, no entanto, a percepção sobre como lidar com crianças e adolescentes cuja carga de informação, não raro, é superior à do professor.

O que este último tem como vantagem e deve explorar é a habilidade no manejo do conhecimento, a competência para selecionar, organizar e dar sentido às informações. Na Europa, pesquisas mostram que a primeira “geração Net” chegou às universidades já há dez anos. Desde então, tudo mudou – inclusive a tal “geração Net”.

Mas algo permanece: estes alunos ainda têm vontade de aprender. Possuem objetivos. São pragmáticos, isto é, querem foco no aprendizado; desenvolvem formas distintas de pensar, de se comunicar e apreender informações. Buscam ambientes desafiadores, exigem retorno (o tal “feedback”, isto é, querem saber como estão e o que vão fazer com o conhecimento). São “multitarefa”, isto é, conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo – e disso decorre também uma redução no tempo médio de atenção durante a aula.

O mesmo estudo detectou que o aluno, ao reclamar da aula “chata”, na verdade diz: “tenho muitas coisas a fazer e pouco tempo”. E não é exagero: a carga de informação e de opções disponíveis nunca foi tão grande e tende a aumentar. Essa geração Net representa hoje nada menos do que 7% de toda a população mundial.

O impacto no manejo da informação e do conhecimento, como é de se supor, é imenso e inclui outros obstáculos. Entre os já detectados estão um senso de imediatismo, a “lei do menor esforço” e a falta de aprofundamento nos assuntos discutidos. Não tanto por preguiça ou comodismo, mas estarem submetidos a um sistema que possui tais características.

É impossível desprezar isso e acreditar que as aulas ainda devem ser como há dez, vinte ou cem anos. Ninguém vai substituir imediatamente o ambiente na sala de aula e nem esta apenas é a solução. Mas pensar metodologias mais desafiadoras, estimular práticas de aprendizado em grupo e utilizar as informações e as habilidades do aluno pode ser um bom começo.

Clique aqui para ler as pesquisas citadas neste artigo

(Publicado originalmente no jornal Comércio do Jahu)